{"id":937,"date":"2012-01-28T13:52:31","date_gmt":"2012-01-28T13:52:31","guid":{"rendered":"https:\/\/vitorvieira.com\/wp\/?p=937"},"modified":"2018-10-07T14:09:03","modified_gmt":"2018-10-07T14:09:03","slug":"a-ilusao-da-e-i-migracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/vitorvieira.com\/?p=937","title":{"rendered":"A ilus\u00e3o da (e-\/i-)migra\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Deve ter uns dois anos o primeiro pedido de conselho por parte de um amigo. Desde essa altura que tenho recebido diversos pedidos de conselho, contacto e informa\u00e7\u00e3o sobre (e-)\/(i-)migra\u00e7\u00e3o. E porqu\u00ea?&#8230; talvez por viver na Alemanha h\u00e1 j\u00e1 6 anos. Ou talvez por antes disso ter emigrado dentro do pa\u00eds durante outros 6.<br \/>\nO que muitas pessoas se esquecem \u00e9 de que isto de emigrar tem muito que se lhe diga. Os pedidos que tenho recebido s\u00e3o normalmente de pessoas que em virtude da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica de Portugal, procuram outros &#8220;pastos&#8221; mais atraentes. Uma situa\u00e7\u00e3o perfeitamente compreens\u00edvel, mas longe de ser uma boa raz\u00e3o para emigrar. E ent\u00e3o porqu\u00ea? Ora bem, \u00e9 para explicar isso que escrevo este artigo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este artigo tem como p\u00fablico alvo Portugueses da faixa et\u00e1ria dos 20-30 anos. Acad\u00e9micos e\/ou n\u00e3o s\u00f3, mas que normalmente ainda n\u00e3o t\u00eam uma fam\u00edlia estabelecida (casados, com filhos).<br \/>\nPrimeiro que tudo, \u00e9 preciso lembrar que imigrar (<a target=\"new\" href=\"http:\/\/www.priberam.pt\/dlpo\/default.aspx?pal=imigrar\">entrar e fixar-se, peri\u00f3dica ou definitivamente, num outro pa\u00eds ou regi\u00e3o<\/a>) n\u00e3o \u00e9 nada igual ou parecido a fazer f\u00e9rias de algumas semanas ou mesmo um m\u00eas noutro lado qualquer. A come\u00e7ar pelo \u00f3bvio, n\u00e3o s\u00e3o f\u00e9rias! Nem \u00e9 um um ano &#8220;tempor\u00e1rio&#8221; de Erasmus. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 trabalho. \u00c9 viver noutro lado. E sejamos sinceros, n\u00e3o estamos todos \u00e0 altura para esse desafio. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 quando muitos jovens v\u00e3o para a universidade, passam pelo &#8220;periodo de adapta\u00e7\u00e3o&#8221;. Que muita gente se faz de coitadinho que est\u00e1 longe de tudo o que conhece, assustado com o mundo dos grandes. Mas \u00e9 a realidade quem est\u00e1 \u00e0 porta, e ela \u00e9 indiferente a ti e a mim. O que por vezes \u00e9 mais assustador do que a ideia do &#8220;<em>est\u00e1 tudo contra mim<\/em>&#8220;.<br \/>\nEnfrentar esses desafios faz parte da vida. Se o(a) leitor(a) foi para a universidade fora da sua cidade natal, est\u00e1 agora a pensar em imigrar, e achou que a universidade tinha sido um passo dif\u00edcil: Ent\u00e3o esque\u00e7am a ideia de ir para um pa\u00eds diferente. Pode deixar de ler este artigo e ir \u00e0 internet ver coisas mais engra\u00e7adas. Como por exemplo o <a href=\"http:\/\/failblog.org\/\" target=\"new\">failblog<\/a> ou a <a href=\"http:\/\/www.disney.pt\/\" target=\"newtwo\">Disney<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro aspecto que eu gostaria de referir antes de entrar propriamente nas quest\u00f5es mais delicadas \u00e9 o seguinte:<br \/>\nAnalizando a sociedade emigrante Portuguesa, vemos uma grande diferen\u00e7a entre os imigrantes dos anos 60-70 e os de 90-00. O estere\u00f3tipo do emigrante portugu\u00eas \u00e9 construido na gera\u00e7\u00e3o mais antiga, que era, em regra, menos letrada. Eles sairam de Portugal porque a situa\u00e7\u00e3o estava m\u00e1. Economica-, social- e politicamente. A gera\u00e7\u00e3o dos 90-00 \u00e9 completamente diferente. Por regra os que emigraram fizeram-no por op\u00e7\u00e3o. S\u00e3o acad\u00e9micos na sua maioria, e t\u00eam uma outra abordagem exactamente por partirem \u00e0 aventura, e j\u00e1 aprenderam com a gera\u00e7\u00e3o anterior.<br \/>\nDas criticas negativas que temos a apontar aos nossos &#8220;idosos&#8221; emigrantes cai normalmente o estere\u00f3tipo do emigrante Portugu\u00eas que quando est\u00e1 l\u00e1 fora diz: &#8220;<em>Ahhh que em Portugal \u00e9 tudo muito melhor do que aqui&#8230; A comida \u00e9 muito melhor, o tempo mais ameno, as pessoas mais am\u00e1veis&#8230; S\u00f3 a economia \u00e9 que n\u00e3o presta! De resto \u00e9 muito melhor do que estar aqui.<\/em>&#8220;. E depois quando chega a Portugal diz: &#8220;<em>Ahhh que l\u00e1 fora \u00e9 muito melhor do que estar em Portugal! Ganha-se melhor, as pessoas s\u00e3o civilizadas, educadas&#8230; \u00e9 muito melhor do que estar em Portugal!<\/em>&#8220;. Acho que todos n\u00f3s conhecemos uma figura assim&#8230; De modo a evitar que esta nova gera\u00e7\u00e3o de emigrantes que agora sai de Portugal, j\u00e1 pelas mesmas raz\u00f5es que os pais\/av\u00f3s, e se tornem num espelho do que j\u00e1 se passou&#8230; queria deixar algumas dicas, e ideias do que se v\u00e3o meter.<br \/>\nIsto porque a for\u00e7a de vencer &#8220;l\u00e1 fora&#8221; est\u00e1 &#8220;dentro de n\u00f3s&#8221;, e n\u00e3o \u00e9 algo que se aprende na universidade. \u00c9 a determina\u00e7\u00e3o, \u00e9 o espirito de aventura e de luta. N\u00e3o \u00e9 o <a target=\"new\" href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=uPq3oW8_vCI\">fado choramingas portugu\u00eas<\/a>. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>1:<\/strong> Construir uma nova vida. \u00c9 exactamente o que imigrar \u00e9, construir uma vida&#8230; noutro lado. N\u00e3o se trata apenas de arranjar casa ou apartamento&#8230; mas sim com uma vida social: Amigos, amante(s), passatempos e tudo o mais que nada tem a ver com a vida profissional que nos propomos a fazer. S\u00e3o altera\u00e7\u00f5es de h\u00e1bitos de todo o g\u00e9nero &#8211; desde os alimentares aos c\u00f3digos sociais. \u00c9 o que isto significa.<br \/>\nE \u00e9 exactamente no campo pessoal que as considera\u00e7\u00f5es sobre imigra\u00e7\u00e3o dever\u00e3o come\u00e7ar:<br \/>\nPor exemplo: namorada(o), parceira(o), esposa(o) em Portugal&#8230; ter esta \u00e2ncora emocional \u00e9 relevante para o sucesso. N\u00e3o \u00e9 um lastro! De maneira nenhuma, mas vai limitar muito a mobilidade de uma pessoa. Da\u00ed eu ter escolhido a palavra \u00e2ncora porque \u00e9 algo que faz uma liga\u00e7\u00e3o a Portugal no presente e certamente no futuro, do que a palavra lastro, que nos ret\u00eam, segura e impede o movimento.<br \/>\nJ\u00e1 tendo vasta experi\u00eancia em m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia, venho aqui fazer um pouco o papel de <a rel=\"shadowbox\" href=\"http:\/\/mais.no.sapo.pt\/maria.html\">conselheiro da revista &#8220;Maria&#8221;<\/a>. O facto de serem m\u00faltiplas \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o da minha taxa de sucesso; contudo, por sabedoria pessoal e osmose de rela\u00e7\u00f5es de amigos, posso dizer o seguinte: uma rela\u00e7\u00e3o \u00e9 feita a 2, e para funcionar \u00e0 dist\u00e2ncia, t\u00eam ambos de estar na mesma p\u00e1gina e com os mesmos objectivos. Sejam eles quais forem. E em cima disso, ambos t\u00eam de efectivamente trabalhar para alcan\u00e7ar os objectivos propostos. \u00c9 muito f\u00e1cil quando um dos parceiros vacila ou desvia-se dos objectivos estipulados de deitar tudo a baixo. (<em>Seen it happen, oh so often<\/em>)<br \/>\nA rela\u00e7\u00e3o vai ser colocada \u00e0 prova, e se n\u00e3o h\u00e1 em vista algo concreto&#8230; ent\u00e3o tem uma data de validade.<br \/>\nOutro aspecto \u00e9 ir com a nossa cara-metade para uma outra cidade (pode at\u00e9 ser dentro do pa\u00eds). As coisas s\u00e3o diferentes do que numa rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dist\u00e2ncia, e parece \u00e0 partida mais f\u00e1cil&#8230; a solid\u00e3o n\u00e3o bate da mesma maneira. No entanto parece haver a tend\u00eancia de que o casal agarra-se muito um no outro, e depois um deles acaba por sufocar. A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o parece ser que ambos arranjem uma vida social o mais cedo poss\u00edvel, e sejam capazes de manter alguma individualidade. Mas \u00e9 um risco, um teste \u00e0 rela\u00e7\u00e3o, e \u00e9 uma das coisas para a qual \u00e9 preciso estar avisado(a). <strong>Boa sorte<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>2:<\/strong> Para estabelecer uma nova vida social: imigrar \u00e9 MUITO diferente de mudar dentro do pa\u00eds para estudar. Para come\u00e7ar, l\u00e1 fora n\u00e3o h\u00e1 praxe (<em>gottseidank<\/em>) e tamb\u00e9m n\u00e3o vai haver colegas de &#8220;luta acad\u00e9mica&#8221; que nos possamos ligar facilmente. Estamos realmente s\u00f3s e vamos ter de fazer pela vida. Os colegas de trabalho n\u00e3o s\u00e3o as melhores apostas para amizade. Eles\/elas j\u00e1 t\u00eam uma vida social e n\u00e3o precisam de um(a) estrangeiro(a) para nada. Estamos portanto por nossa conta. Haver\u00e1 certamente o convite social ocasional, mas isso est\u00e1 longe de ser uma vida social.<br \/>\nQue fazer? Eis duas sugest\u00f5es que brilham pela sua simplicidade e taxa de sucesso: <strong>Cursos de l\u00edngua local e desportos de equipa<\/strong>. Em todos os s\u00edtios onde estive, sim j\u00e1 vivi tamb\u00e9m fora da Alemanha, isto \u00e9 verdade: Com os cursos de l\u00ednguas iremos conhecer diversas pessoas que est\u00e3o no mesmo n\u00edvel que n\u00f3s, tanto em conhecimento como na quantidade\/qualidade de tempo (e vida social) que os rec\u00eam-chegados. Basta ver quem \u00e9 que tem os mesmo interesses, muito f\u00e1cil pois a conversa\u00e7\u00e3o que ir\u00e1 fluir nas aulas, e mais tarde h\u00e1 sempre encontros fora de aulas para praticar a l\u00edngua (desculpas, desculpas).<br \/>\nDesportos de equipa, como o pr\u00f3prio nome indica, obriga a uma socializa\u00e7\u00e3o dentro e fora do campo. \u00c9 f\u00e1cil fazer novos amigos assim. <em> Go get them, tiger<\/em>&#8230;<\/p>\n<p><strong>3:<\/strong> Outra considera\u00e7\u00e3o a tomar antes de imigrar \u00e9 a seguinte: <strong>que quero fazer da minha (futura) vida familiar?<\/strong><br \/>\nVou querer ter filhos? Se sim, onde \u00e9 que os vou querer criar? Com quem? H\u00e1 j\u00e1 um parceiro(a) Portugu\u00eas \/ Portuguesa na lista? Ou est\u00e1 ainda para se ver?<br \/>\nVou come\u00e7ar por esquadrinhar na quest\u00e3o do(a) parceiro(a):<br \/>\nHavendo j\u00e1 alguem em vista&#8230; ent\u00e3o ver o ponto a cima onde referi rela\u00e7\u00f5es \u00e0 dist\u00e2ncia (ponto 1).<br \/>\nN\u00e3o havendo, o que fazer? Bem, eu n\u00e3o forne\u00e7o aqui um <a target=\"new\" href=\"http:\/\/www.okcupid.com\/\">servi\u00e7o de encontros on-line<\/a>. Mas uma realidade \u00e9 que, a probabilidade de encontrarmos outros Portugueses(as) interessantes l\u00e1 fora para essas aventuras \u00e9 fraca. Se j\u00e1 n\u00e3o vinha de tr\u00e1s onde a probabilidade era maior&#8230;..<br \/>\nMas isso n\u00e3o \u00e9 problema! Traz apenas um pouco de cor \u00e0 vida. Aventurem-se e pode ser que se espantem. Uma rela\u00e7\u00e3o inter-cultural apresenta outros (bons?) desafios, e v\u00e3o ter de considerar que o(a) vossoa(a) parceiro(a) ter\u00e1 n\u00e3o apenas uma maneira diferente de ver as coisas, como ir\u00e1 alterar a vossa forma de as ver. Por isso h\u00e1 que tem em considera\u00e7\u00e3o esse aspecto. Quero um parceiro(a) estrangeiro(a)? Se n\u00e3o fizer mal, onde \u00e9 que depois essa rela\u00e7\u00e3o se vai desenvolver? Vai ter data de validade? Se n\u00e3o quiser um parceiro(a) estrangeiro(a), vou querer ficar sozinho(a) ou planeio voltar a Portugal daqui a algum tempo?<br \/>\nPara os que decidem realmente fazer uma vida l\u00e1 fora, com crian\u00e7as, h\u00e1 uma realidade que muitos pais imigrantes ignoram: \u00e9 que a crian\u00e7a (<a rel=\"shadowbox\" href=\"http:\/\/noticias.sapo.pt\/info\/artigo\/985424\">a menos que a metam na cave e nunca veja a luz do dia<\/a>) vai crescer numa outra sociedade. E vai adquirir os valores, m\u00e9todos, pensamento e filosofia daquela sociedade. N\u00e3o v\u00e3o ser os mesmos que os Portugueses. O melhor que se poder\u00e1 desejar, \u00e9 ter uma mistura saud\u00e1vel (50-50)&#8230; Luso-Alem\u00e3o, Luso-Fran\u00e7\u00eas, Luso-Brasileiro, Luso-qualquer coisa&#8230; Nunca os filhos ser\u00e3o Portugueses de gema. <strong>Apaguem essas ilus\u00f5es!<\/strong><br \/>\nMas isto n\u00e3o \u00e9 nada de mau! De modo nenhum! \u00c9 na verdade uma mais valia uma pessoa ter a possibilidade de compreender duas culturas diferentes.<br \/>\nQualquer coisa menos do que 50-50 \u00e9 na verdade um desperd\u00edcio&#8230; Filhos de emigrantes Portugueses que poderiam falar Portugu\u00eas, e afinal s\u00f3 falam a l\u00edngua local, por exemplo. Completamente ignorantes de uma outra cultura que poderiam tamb\u00e9m absorver, e com isso torna-los mais interessantes, mais cultos.<br \/>\nMas naturalmente que h\u00e1 um choque cultural maior quando, por exemplo, se misturam culturas \u00e1rabes com culturas ocidentais. A ver por aqui, na Alemanha, onde os Turcos imigrantes s\u00e3o por norma mais conservadores do que os que ficaram na Turquia. J\u00e1 conheci (pessoalmente) casos de viol\u00eancia (<a rel=\"shadowbox\" href=\"http:\/\/www.welt.de\/vermischtes\/weltgeschehen\/article13504056\/So-brachte-Ayhan-Sueruecue-seine-Schwester-Hatun-um.html\">mortes at\u00e9<\/a>) e de casamentos for\u00e7ados.<br \/>\nAhh neste tema, posso dar o bom exemplo de um amigo Brasileiro casado com uma Alem\u00e3, onde os filhos s\u00f3 falam Portugu\u00eas com o pai e Alem\u00e3o com a m\u00e3e. \u00c9 fant\u00e1stico ver como estas crian\u00e7as saltam de uma l\u00edngua para a outra.<\/p>\n<p><strong>4:<\/strong> O envelhecimento dos pais&#8230;. este \u00e9 um tema que tenho pouca experi\u00eancia ainda&#8230; Os meus pais est\u00e3o rijos como o a\u00e7o! Mas j\u00e1 observei de amigos meus (e-\/i-)migrados, que agora vacilam com os pais a ficarem mais velhinhos e a requerem mais aten\u00e7\u00e3o. Na verdade o caso que tenho em mente sempre vacilou com saudades de casa; possivelmente os pais s\u00e3o apenas uma desculpa.<br \/>\nO que quero dizer \u00e9 o seguinte: pensem tamb\u00e9m no que v\u00e3o fazer quando os velhotes forem mesmo velhotes.<\/p>\n<p><strong>5: Trabalho!<\/strong> Ora bem, aqui \u00e9 o que muita gente se ilude! N\u00e3o pensem como refugiados vindos do Norte de \u00c1frica, ou Cubanos (para um caso mais Americano), que basta atravessar aquela \u00e1gua, que do outro lado tod osos sonhos se realizam. <strong><em>N\u00e3o sejam ing\u00e9nuos<\/em><\/strong>. Sabem muito bem que arranjar (bom) emprego num pa\u00eds do &#8220;primeiro mundo&#8221; n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, ou melhor \u00e9 quase t\u00e3o f\u00e1cil como em Portugal. Certo que para lavar pratos e varrer as ruas sempre se arranja, mas n\u00e3o venham com ideias de grandeza!<br \/>\nOlhem o exemplo recente do <a target=\"new\" href=\"http:\/\/static.publico.pt\/pesoemedida\/noticia.aspx?id=1526763&#038;idCanal=90\">Luxemburgo, com mais de quatro mil <strong>Portugueses<\/strong> desempregados<\/a>!<br \/>\nEm quest\u00f5es profissionais, o dom\u00ednio da l\u00edngua estrangeira \u00e9 <strong>FUNDAMENTAL<\/strong>.<br \/>\nTrabalhar para um multinacional onde a l\u00edngua de trabalho \u00e9 o Ingl\u00eas \u00e9 possivel. Basta ser bom no que se faz, e dominar o Ingl\u00eas. A\u00ed vale-nos o facto de, normalmente, os Portugueses falarem bem Ingl\u00eas que nos colocam \u00e0 frente dos candidatos estrangeiros que s\u00e3o fraquinhos: Espanh\u00f3is, Franceses, Italianos, onde t\u00eam tudo dobrado em casa.<br \/>\nMas isso n\u00e3o invalida que n\u00e3o necessitamos de ter um dom\u00ednio confort\u00e1vel na l\u00edngua do pa\u00eds de escolha. Afinal de contas \u00e9 l\u00e1 que ir\u00e3o passar o tempo.<br \/>\nAl\u00e9m do mais, a maior parte dos futuros colegas ser\u00e3o nacionais, e ir\u00e3o falar a l\u00edngua local entre eles&#8230; Excluindo assim, n\u00e3o de uma forma mal-educada, simplesmente natural, qualquer indiv\u00edduo que n\u00e3o seja capaz de acompanhar as conversas profissionais e pessoais.<br \/>\nNa verdade quase todos os trabalhos\/fun\u00e7\u00f5es (\u00e0 excep\u00e7\u00e3o do lavar pratos ou apanhar fruta) exigem um conhecimento fluente da l\u00edngua local, tanto para o desempenho directo da fun\u00e7\u00e3o (rela\u00e7\u00f5es com clientes ou fornecedores) bem como para com os colegas de trabalho: professores, advogados,assistentes sociais, etc&#8230; Olhem&#8230; pensem assim: vejam os trabalhos que s\u00e3o desempenhados em Portugal, e pensem se eles podem ser feitos (em Portugal) numa outra l\u00edngua. E j\u00e1 sabem do que estou a falar.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o \u00e9 o sal\u00e1rio!<br \/>\n<strong>6: Espectativas salariais<\/strong> exageradas s\u00e3o uma das principais fontes de desilus\u00e3o&#8230; D\u00e9cimo terceiro m\u00eas? D\u00e9cimo quarto??? Da \u00faltima vez que vi um calend\u00e1rio, o ano tinha doze meses! Acredito que isso n\u00e3o tenha mudado nos passados 5 minutos.<br \/>\nSim, por regra ganha-se melhor &#8220;<em>l\u00e1 fora<\/em>&#8221; do que em Portugal. E tamb\u00e9m por regra gasta-se mais &#8220;<em>l\u00e1 fora<\/em>&#8221; do que em Portugal. \u00c9 tamb\u00e9m verdade que numa situa\u00e7\u00e3o mais equilibrada, seja poss\u00edvel poupar alguns trocos mais &#8220;<em>l\u00e1 fora<\/em>&#8221; do que em Portugal. Mas h\u00e1 uma coisa que as pessoas se esquecem. \u00c9 que a <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=3oRghZ7fJMw\">vida de imigrante<\/a> tem uma diferen\u00e7a fundamental da vida de um local. \u00c9 que o imigrante quer sempre voltar para a sua P\u00e1tria, local de origem, pelo menos pelo Natal, f\u00e9rias de Ver\u00e3o e se poss\u00edvel na P\u00e1scoa! Ou seja tem uns gastos anuais em viagens que os locais n\u00e3o t\u00eam. E a\u00ed&#8230;. a\u00ed a porca tor\u00e7e o rabo e as poupan\u00e7as sofridas a lavar pratos l\u00e1 se foram.<br \/>\nUm exemplo flagrante tive este ano, quando vi viagens entre Paris e Funchal para Outubro de 2012 com pre\u00e7os pela TAP superiores a 500\u20ac. E para a mesma altura e a sair do mesmo aeroporto para o Jap\u00e3o eram por volta de 480\u20ac&#8230;. Tenho tanta pena de ser madeirense&#8230;<br \/>\nSim \u00e9 poss\u00edvel fazer umas poupa\u00e7as l\u00e1 fora. Comendo sandes todos os dias, e fazendo sacrif\u00edcios pessoais \/ sociais&#8230; mas no fim fica a pergunta: <em>\u00e9 afinal diferente do que ficar em Portugal?<\/em><\/p>\n<p><strong>7:<\/strong> Outra quest\u00e3o s\u00e3o os impostos&#8230; que tal como a morte s\u00e3o certinhos&#8230; Mas a\u00ed n\u00e3o vale apena me esticar, pois cada s\u00edtio \u00e9 diferente, e pelo que tenho visto o problema (de 1\u00ba mundo) da seguran\u00e7a social, \u00e9 que a economia vai ser m\u00e1 em todo o lado. Por isso tratem de por dinheiro \u00e1 parte em mais s\u00edtios do que um. N\u00e3o metam os ovos todos no mesmo cesto.<\/p>\n<p><strong>8:<\/strong> Valoriza\u00e7\u00e3o no trabalho&#8230;. Ser\u00e1 que l\u00e1 fora \u00e9 assim t\u00e3o diferente do que em Portugal? A verdade \u00e9 que n\u00e3o \u00e9! A valoriza\u00e7\u00e3o profissional parte de dentro. Se fizermos um bom trabalho, independentemente de onde estamos, podemos orgulharmo-nos disso. Se os colegas n\u00e3o v\u00eaem isso ent\u00e3o \u00e9 bater com a porta.<br \/>\nAqui fa\u00e7o refer\u00eancia \u00e0s s\u00e1bias palavras de Jos\u00e9 Pinto dos Santos, quando disse: \u201c<a rel=\"shadowbox\" href=\"http:\/\/vodpod.com\/watch\/2294568-entrevista-jos-pinto-dos-santos\"><em>Se esta empresa n\u00e3o me quer, n\u00e3o d\u00e1 valor ao que eu aprendi, conquistei e posso dar&#8230; porque raz\u00e3o quererei eu l\u00e1 trabalhar?!<\/em><\/a>\u201d.<br \/>\n\u00c9 claro que \u00e9 f\u00e1cil falar! Mas quando temos crian\u00e7as para alimentar, e 40 anos de d\u00edvida para pagar e estamos dependentes daquela entidade empregadora (o estado?) a coisa n\u00e3o \u00e9 bem assim! Mas devia ser! E compete-te a ti, <em>jovem<\/em>, torna-la realidade. Se \u00e9s escravo em Portugal, \u00e9s escravo de ti mesmo. Quem te mandou meter nesse neg\u00f3cido da casa? Comprar um carro para qu\u00ea? Status? Orgulho? Olha, ent\u00e3o \u00e9 bem feito!<br \/>\nEsquece&#8230; n\u00e3o tenho palavras nem conselhos, cada pessoa tem sua pr\u00f3pria caminhada. Faz o melhor que puderes. S\u00ea o melhor que puderes. O resultado vir\u00e1 na mesma propor\u00e7\u00e3o de teu esfor\u00e7o. Compreende que, compete-te a ti (a mim e a todos) modificar as tuas (nossas) t\u00e9cnicas, vis\u00f5es, verdades, etc.<br \/>\nO teu trabalho \u00e9 valorizado quando tu pr\u00f3prio(a) o valorizas. E naturalmente \u00e9s capaz de mostrar que o fazes \u00e9 importante! Se n\u00e3o, a pergunta filos\u00f3fica n\u00e3o deveria ser: <em>vou imigrar?<\/em> Mas sim: <em>que fa\u00e7o eu da minha vida?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o quero soar paternalista com isto tudo&#8230; mas h\u00e1 pensar nestas coisas antes de se meter em aventuras e tirar as ilus\u00f5es da (e-\/i-)migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para fechar o artigo que soou at\u00e9 agora negativo, vou referir algumas raz\u00f5es positivas pela quais se deve emigrar, e que nada t\u00eam a ver com a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica Portuguesa.<br \/>\n\u00c9 uma experi\u00eancia \u00fanica. A oportunidade de aprender coisas novas, de se fazer algo perfeitamente mundano ou at\u00e9 dif\u00edcil mas de uma maneira diferente. Tr\u00e1s outra cor \u00e1 vida.<br \/>\nUm outro ponto positivo, e mais filos\u00f3fico \u00e9 que aprendemos algo sobre n\u00f3s pr\u00f3prios. Aprender uma cultura diferente \u00e9 o que nos permite compreendermos a nossa pr\u00f3pria cultura. \u00c9 das diferen\u00e7as que vemos o porqu\u00ea que fazemos isto ou aquilo de uma determinada maneira. \u00c9 uma experi\u00eancia de vida em que se ganha algo imensur\u00e1vel.<br \/>\nCrescer&#8230; Ao viver fora de Portugal temos a oportunidade de crecer de uma maneira diferente, pessoalmente e profissionalmente. Explorar campos pessoais e de conhecimento que \u00e1 partida nos eram vedados ou de dif\u00edcil acesso. \u00c9 uma experi\u00eancia de vida que nos difere (de uma forma positiva, mas n\u00e3o quantific\u00e1vel) dos restantes membros da sociedade humana. Adiciona algo \u00e1 nossa esfera de individualidade que antes n\u00e3o estava l\u00e1. <strong>Aten\u00e7\u00e3o!<\/strong> N\u00e3o nos torna melhores do que os que ficaram em casa! Mas torna-nos diferentes do que eramos antes, e esperemos que seja para melhor.<br \/>\nFazer amigos que nos mostram outras realidades, outros mundos&#8230; (e-\/i-)migrar tr\u00e1s-nos um conhecimento que nos permite apreciar algo que nunca pensavamos que iriamos apreciar. Gastronomia, desporto, eventos sociais&#8230; Com outras pessoas que v\u00eaem as coisas de maneira diferente, apendemos outras coisas que &#8220;em casa&#8221; n\u00e3o aprendemos. Aprendemos coisas banais como andar de bicicleta ou fazer ski, at\u00e9 coisas mais estranhas como fazer sushi ou conduzir num tren\u00f3 puxado por c\u00e3es&#8230; \u00c9 um mundo que est\u00e1 l\u00e1 fora, e viv\u00ea-lo, experiment\u00e1-lo \u00e9 algo que todos devem fazer porque querem e porque gostam. E n\u00e3o porque s\u00e3o obrigados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com isto tudo meus caros&#8230; Fecho este artigo dizendo apenas: Esse coelho que meteu a cabe\u00e7a fora da toca (que nem um <a rel=\"shadowbox\" href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-9P-E3Jlq7Xg\/TvSdSkgZazI\/AAAAAAAAAG0\/lpW86lzFDXQ\/s1600\/Whack-a-mole.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">whack-a-mole<\/a>) e aconselha os jovens profissionais a imigrar, ent\u00e3o devia ser ele o primeiro a fazer de cherne e nadar para outros rios&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe align=right src=\"http:\/\/www.facebook.com\/plugins\/like.php?href=<?php the_permalink() ?>&#038;send=&#8221;yes&#8221;&#038;layout=standard_count&#038;show_faces=true&#038;width=250&#038;action=like&#038;colorscheme=dark&#8221; scrolling=&#8221;no&#8221; frameborder=&#8221;0&#8243; allowTransparency=&#8221;true&#8221; style=&#8221;border:none;overflow:hidden; width:250px; height:80px&#8221;><\/iframe><br \/>\n&nbsp;<br \/>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deve ter uns dois anos o primeiro pedido de conselho por parte de um amigo. Desde essa altura que tenho recebido diversos pedidos de conselho, contacto e informa\u00e7\u00e3o sobre (e-)\/(i-)migra\u00e7\u00e3o. E porqu\u00ea?&#8230; talvez por viver na Alemanha h\u00e1 j\u00e1 6 anos. Ou talvez por antes disso ter emigrado dentro do pa\u00eds durante outros 6. 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